que mundo pequeno!

[ Terça-feira, Março 27, 2007 ]


atenção! atenção! atenção!

aviso da maior importância aos navegantes desses mares mundiais!

endereço novo nas quebradas!


www.quemundopequeno.blogspot.com


apareçam por lá agora e já!
Gio [2:13 PM]

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[ Quinta-feira, Fevereiro 15, 2007 ]


"solidão é lava | que cobre tudo | amargura em minha boca | sorri seus dentes de chumbo"

que saco.

monotema né?

solidão e tal.

eu sei.

mas olhem.

eu conheci pessoas mega queridas. eu fiz amigos sinceros. e eu aprendi a odiar menos essa cidade. e eu até faço coisas interessantes que me enchem os dias.

mas.

ocorre, sometimes.

a solidão vem e ttiibbuusshh.

desaba na minha cabeça.

como um grande cubo de gelo num pequeno copo de chá gelado.

e eu desejo de coração ser sozinha nesse mundo pra poder morrer em paz sem ninguém pra ficar aqui chorando a minha ausência.

mas né?

não sou.

o filho, a mãe. a família, os amigos. todo o povo querido. o cão, a ovelha de pelúcia. as coisas.

e você se diz "beleza, eu vivo então".

mas.

às vezes é pesado e doloroso.

e você se olha bem no fundo de você mesma e vê uma grande anta, porque, oras as bolas todas, foi você mesma quem escolheu não foi? essa cidade, essa vida.

e porque, porque, com mil raios você não consegue uma vez sequer handle it for a while? e porque, porque, com mil raios, você não mete os peitos e dá a cara à tapa e pula no precipício e estrangula essa tristeza até ela sangrar? porque, porque, com mil raios, ao invés disso, você senta em sua cama com seu travesseiro encharcado de lágrimas (quem, com mil raios, inventou os travesseiros?), sua caixa de lenços kleenex de um lado (quem, com mil raios, inventou os lenços kleenex?), sua ovelha de pelúcia do outro (quem, com mil raios, inventou as ovelhas de pelúcia?), e seu computador no colo (quem, com mil raios inventou os computadores de botar no colo?) e chora todas as suas pitangas aqui nesse seu blog?

quem com mil raios, e porque, com mais mil, inventou os blogs?
Gio [4:32 PM]

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[ Sexta-feira, Fevereiro 02, 2007 ]


pronto.

aconteceu.

agora tenho uma nova atividade profissional.

a mais intrigante possível pra pessoa que vos fala.

não que eu não a quisesse.

de certa forma, fui eu que a procurei.

mas, percebam.

sou colaboradora de uma revista de arquitetura.

pois é.

a arquitetura.

ela mesma.

em pessoa.

de novo.

na minha vida.

temei. temei.
Gio [1:42 PM]

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[ Quarta-feira, Dezembro 06, 2006 ]


Por que os seriados não são eternos ?

Por que a gente começa a ver os primeiros episódios e depois vira totalmente dependente emocionalmente do troço?

Por que depois eles acabam?

Por que a gente quase morre quando eles acabam?

Por que a gente fica lendo bobagens sobre o seriado que acabou?

Por que a gente fica fazendo esses testes ridículos?

Por que a gente se aperreia quando vê o resultado?

Por que, se a gente já sabia que o resultado seria esse mesmo?



Por que raios os seriados existem hein?

Gio [6:18 PM]

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[ Quinta-feira, Novembro 23, 2006 ]


Aí tem essa coisa louca do pertencimento. Ou da visibilidade. Que eu fui numa palestra do Gilberto Dimenstein e li o livro novo dele e fiquei sabendo que pertencimento e visibilidade são conceitos formalmente elaborados que as pessoas cultas discutem em círculos intelectuais privilegiados. E fiquei sabendo também que as pessoas violentam umas às outras e a si mesmas porque se sentem invisíveis e não-pertencedoras a lugar ou pessoa ou grupo algum.

E eu me dei conta de que às vezes é assim que eu me sinto. E eu nem sei porque que eu nem tenho razões pra isso. Mas é dessa forma que calha de ser. E, um dia, uma qualquer e mínima coisa ocorre e plim. Eu me sinto invisível e não-pertencedora de lugar algum, de pessoa alguma; de grupo algum nesse pequeno mundo. Chamem isso de liberdade se quiserem. Eu já chamei, um dia. Mas a pessoa cresce e tem filho e vê a própria mãe envelhecendo e esse conceito de liberdade ( e independência) passa a ser algo complexo.

Porque, percebem? É preciso ter asas. Mas para fazer a mágica de criar asas é preciso ter raízes. E, um dia, bom tempo depois de você ter deixado a barra da saia da mãe, você se pega se perguntando de que forma você poderá criar asas se você não consegue criar raízes, uma vez que a vida que você leva é uma vida vivida hoje aqui e amanhã sabe-se lá onde. E você diz isso à sua terapeuta e ela lhe pergunta se, uma vez que criar raízes era seu objetivo em sua vida, por que raios você se casou com um estrangeiro? E você sorri amarelo e se cala, porque, c'est vrai,você não sabe por que.

E aí como se não fosse grande o bastante a sua agonia, a sua família e amigos, antes concentrados no Brasil e na França, se espalharam de vez.

Seus sogros vão morar nos EUA, dois amigos íntimos em Guadalupe, um na Jordânia e mais dois na Índia. E sua única e amada cunhada nessa vida, faz o quê? Vai pra Índia também. E se apaixona por aquilo lá, assim como todos os seus amigos que por lá estiveram, e pior dos piores, assim como se apaixonou por aquilo lá seu próprio marido, não muitos anos atrás.

E a Índia, que antes já não era um lugar tão longe assim, uma vez que é pequeno, trop pequeno esse mundo, agora ficou mais perto do que nunca.

Medo. Grande. Grande medo.

Chamem os bombeiros mais uma vez.

Gio [3:03 PM]

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[ Sexta-feira, Novembro 03, 2006 ]


A revista Época dessa semana trouxe uma matéria intitulada "Só as mães são sinceras". Eu não gosto da Época. Eu nem devia dizer isso, agora que eu tenho uma amiga que é repórter lá (Rê, tu lê isso aqui? Diz que não, vai). Mas eu tenho que admitir que essa edição foi feliz abordando esse tema espinhoso. Pra resumir, a matéria fala sobre como as mães de hoje _ entendam, as mães com filhos relativamente pequenos, e que têm qualquer idade entre 20 e 40 anos _ estão cada vez menos temerosas em assumir que sim, ter filhos é dramático. E segue, falando dos blogs das mães modernas porém desesperadas, e de como esses veículos, de certa forma, auxiliaram essa mudança de postura diante da maternidade.

Porque vocês lembram. Cinqüenta anos atrás as mães eram somente mães e pronto. Não se esperava muito delas e elas ficavam quietas. Aí veio a tal da revolução feminista e as mães tiveram que trabalhar fora, subir na carreira, administrar bem a casa, dar beijinhos e coisinhas mais aos maridos antes de irem dormir, ter um corte de cabelo bacana, usar as roupas do momento, entender o mundo e acompanhar as noticias, sair com os amigos e se divertir com eles, dedicar-se ao restante da família e, ainda por cima, como se tudo isso não bastasse, criar filhos bonitos, inteligentes, saudáveis e felizes.

Percebem o grau de irrealidade da condição humana desse ser. Não é difícil concordar que essa mãe jamais de la vie conseguiria operacionalizar tudo isso. E nunca conseguiu. Minha própria mãe é uma prova cabal disso. Alguma coisa, uma delas, ou duas, acabou sempre ficando de lado. Às vezes calhou de ser a filha. Mas as mães produtos do feminismo eram (e são) incapazes de assumir que falharam. E essa é a diferença entre essa geração e a geração de mães na qual a minha pessoa está inserida.

As mães da geração de mães na qual a minha pessoa está inserida ainda têm que trabalhar fora, subir na carreira, administrar bem a casa, dar beijinhos e coisinhas mais aos maridos antes de irem dormir, ter um corte de cabelo bacana, usar as roupas do momento, entender o mundo e acompanhar as noticias, sair com os amigos e se divertir com eles, dedicar-se ao restante da família e, ainda por cima, como se tudo isso não bastasse, criar filhos bonitos, inteligentes, saudáveis e felizes.

A diferença crucial é que as novas mães são sim capazes de assumir não somente que falham, mas também de gritar bem alto pra todo mundo ouvir: não, tudo isso, eu não consigo. E mais, têm a coragem de pensar e verbalizar a frase complexa:

TER FILHOS É DRAMÁTICO.

É claro que não são todas as mães. Eu conheço um monte delas que age como se a maternidade fosse a coisa mais celestial dentre as coisas terrenas. Pessoas, às vezes é. Mas muitas vezes, não é de maneira alguma.

Ter filhos não é só dramático. É monótono, solitário e angustiante. Faz a gente ter vontade de morrer. Faz a gente ter vontade de matar. O filho, inclusive. Faz a gente se perguntar "putz, o que foi que eu fiz da minha droga de vida?". Faz a gente se arrepender e pensar que sem aquela criaturinha pequena, gorducha e chorona, a gente poderia estar num lugar longe e bacana, curtindo a vida adoidado.

É verdade. Mas pouca gente assume. Ou assumia, porque, graças aos deuses, e aos blogs, essa falsidade generalizada anda capengando.

Eu mesma. Por mais que eu sempre tenha pensado tudo isso, eu não lembro de ter dito de maneira clara nenhuma vez. Lendo a matéria eu me dei conta disso. E vim correndo escrever esse post.

Porque entendam. João é tudo na minha vida. E é uma criança altamente bem resolvida, que nunca me deu muito trabalho. Mas eu fiquei grávida aos dezoito anos, de uma cara que não significava muita coisa, e tive que rebolar, rebolar e rebolar pra fazer faculdade, trabalhar, namorar, manter os amigos e cuidar dele. Não, pessoas, não foi fácil, vocês devem imaginar. E teve umas horas demasiado trágicas, em que eu cogitei dar veneno a ele e depois tomar uma dose eu também. Ora bolas, a pessoa surta. Quem não tem filhos não deve ter muita noção, mas a pessoa definitivamente surta. É preciso um bocado de apoio, autocontrole, terapia e (por que não?) remedinhos faixa preta pra agüentar o tranco.

Mas o mais importante é: revelar A Verdade às demais pessoas. Ter filhos é dramático. Não se enganem. Pensem cinco vezes antes de casar. Pensem cinco mil vezes antes de ter filhos. No fim das contas, é uma criaturinha, sem culpa da sua maluquice, que você põe no mundo, e que merece ser bonita, inteligente, saudável e feliz. E você, uma vez que pôs ela no mundo, tem toda responsabilidade sobre isso. E precisa estar pronto pra encarar.

Então, ficamos assim combinados. Não façam filhos sem querer muito isso, certo? Já que a gente não consegue diminuir a infelicidade nesse mundo bandido, pelo menos, vamos evitar aumentar, né?


Gio [12:10 AM]

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[ Sexta-feira, Outubro 20, 2006 ]


Então. ocupações mil + internet ruim de doer + Juca doente = minha pessoa sumida. Foi mal pessoas. Detesto fazer isso. Sumir assim sem mais.

Mas, eis que certas pessoas, somente porque agora têm blog novo, acham-se no direito de cobrar atualização. E eu resolvi atualizar. Não que eu esteja recebendo ordens. Mas era tempo mesmo já.

Deixa eu recapitular.

Dia 5 fui a uma palestra de um japonês _ professor Kunichi _ (falando em francês!) especializado na obra de Artaud, que é um dramaturgo francês doido que eu estou estudando agora, e na de Hijikata, que é um coreógrafo japonês, também doido, que eu também estou estudando agora. Haja abstração. Pras aulas e pra palestra. Fiquem somente sabendo que Artaud foi internado dezenas de vezes em hospitais psiquiátricos ao longo da vida. Que ficou viciado em peyote quando viveu por uns tempos entre os Tarahumaras no México. Que durante uma palestra simulou um ataque de peste. Que escrevia com cocô de mosquito. Hijikata, por sua vez, queria destruir o corpo, porque o corpo não pode simplesmente funcionar, ele tem que ser algo maior. Hijikata propôs colocar uma escada dentro do corpo e descer até o lugar mais profundo pra ver o que encontraríamos lá. Somente. Tem mais. Mas acho que isso chega pra dar uma idéia. Eu amo muito tudo isso.

Dia 8 fui dar uma olhada na Bienal de Arte com Dina. Gostei e tal. Mas tem todas aquelas obras que você vê e se pergunta "o que diabo é isso?" ou "isso é arte?" ou se diz "meu filho de 7 anos faz melhor" ou ainda "eu devia ter ficado em casa". Fora essas obras, tem as que são geniais e que fazem o troço valer a pena. Eu gosto de ler bem muito sobre uma exposição antes de ir ver, porque senão eu não entendo coisa nenhuma mesmo e sinto que perdi meu tempo. Sobre essa Bienal eu li enciclopédias, de tantos que foram os artigos de revistas. E foi bom. Entender as coisas é importante. No mais, foi bom demais rever Dina, jogar conversa fora, rir dos paulistanos modernos com suas roupas excêntricas, passear no parque, tirar fotos sem noção, comer quebra-queixo, beber caipirinha, ficar bêbada e acordar no outro dia com dor de cabeça. Viver é bom. Às vezes enche. Mas às vezes é bom. Eu acho.

Dia 12 teve dia das crianças né? e teve então toda aquela coisa de comprar presente, levar nas festinhas e shows e teatrinhos e brinquedotecas. Ser mãe é padecer, mas não no paraíso. É a ditadura da diversão sem descanso. Enfim. Eu também amo muito tudo isso. Devo logo confessar.

Dia 13. Dia 14. Dia 15. Feriado prolongado. O que acontece? Paulista que é paulista, caipira, assim, do interior, que nem eu, faz o que? Sai correndo pra praia. Foi o que fiz. O que todo mundo fez. E tudo _ as praias, os bares, os restaurantes, as pousadas, os museus, os parques, as estradas _ absolutamente tudo estava absolutamente lotado. Mas né? Que graça teria se fosse assim fácil? Nenhuma. Então pronto. Passei um dia em Santos e dois em São Sebastião e vi umas paisagens lindas de chorar. Sério. De chorar. Se bem que né? Eu chorei vendo Irmão Urso. Então eu não sou parâmetro nesse quesito. Não sou não.

Voltei a ler Norwegian Wood depois de algumas semanas. Que eu tinha parado porque era tanta desgraça na vida das pessoas que eu me revoltei. E o resto foi como eu pensei. Triste, triste, triste. Ô povo besta esse, que lê livros que fazem sofrer. Ainda bem que eu não sou assim. Mas eu preciso falar desse livro com calma. Eu juro e prometo que eu falo. Ah, comecei a ler Obrigado, Jeeves. Presente de Dridri _ meu recomendador oficial de livros cults e obscuros. É meu novo livro do ônibus. Eu falei sobre isso? Não né? Então. Como agora eu passo boa parte da minha semana dentro do ônibus, eu inventei o "livro do ônibus". Bem, é um livro que fica na mochila que eu carrego pra tudo que é canto. Deve ser pequeno e leve, que eu sou fraquinha e não consigo ficar andando por aí com um livro pesado nas costas. E eu leio somente no ônibus. E aposto comigo mesma que eu acabo o livro antes da semana acabar. E eu quase sempre ganho! Rá!

Vendo filminhos bacanas. Preguiça de falar de todos. Mas gostei especialmente de Totalmente Kubrick e A Lula e a Baleia. Chorei com o segundo. Também. Meu estoque de lagrimas é inversamente proporcional ao tamanho do meu estômago. Enfim. Filhos sofrendo me fazem chorar. Batata.

Agora eu vou ali voltar a escrever meu primeiro trabalho a ser entregue. Que era pra ser entregue ontem, quinta! Afe! Hoje, só amanhã. Mas eu consigo. Torçam por mim que eu consigo sim. Depois falo dele somente pra entediar a todos. E depois escrevo mais. Juro e prometo.

ps: fotos da Bienal e de Santos e de São Sebastião, aqui e ali.

Gio [10:06 AM]

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[ Segunda-feira, Outubro 02, 2006 ]


Aí a pessoa foi ver e levar seu próprio filho pra ver a exposição sobre Grande Sertão: Veredas, do Guimarães Rosa, no mais que bacana Museu da Língua Portuguesa.

Aí era uma daquelas exposições modernosas e estilosas, cheia de instalações surpreendentes e originais. E havia fragmentos do texto espalhados por todo o primeiro andar do museu, nas formas mais variadas, e você escalava escadas pra ler frases pintadas nas paredes e no chão, e puxava cordas e pedaços de tecido com frases impressas deslizavam do teto, e era aquela coisa interativa toda e havia ainda a terra do sertão por todos os lados, os sons do sertão ecoando o tempo todo, e de repente a pessoa espiou por um buraquinho na parede feito pra espiar mesmo e viu uma foto aérea de Paris, e por cima da foto estava escrito:

O sertão é em toda parte.

E a pessoa estremeceu e chorou. E procurou um cantinho pra se esconder porque a emoção foi mesmo daquelas violentas.

Porque, percebam. Aquela frase, por cima daquela foto, estava ali pra mim. Estou certa disso. Não tenho a mais ínfima duvida de todas. E como? Me digam. Como não estremecer e chorar? Se era Paris, logo Paris, e eu percebi que o sertão estaria sempre, pra todo O Sempre, em todo e qualquer lugar, porque o sertão que eu conheço, que faz parte de mim sem que eu consiga dele me separar, o sertão onde o meu pai nasceu e onde eu vivi muitas das minhas melhores lembranças, esse sertão, o meu sertão pessoal, intimo e intransferível, está aqui guardado comigo, no lugar mais seguro que existe dentro de mim. E não importa pra onde eu vá nesse mundo pequeno, minúsculo, ridículo, o sertão irá toda vez comigo.

Porque ele é em toda parte.




Ps: como se não fosse suficiente, outra pessoa vem e dedica uma poesia bem feia à minha própria pessoa. decididamente, chamem os bombeiros.


Gio [5:01 PM]

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[ Quarta-feira, Setembro 20, 2006 ]


oi quadrado querido!

mi, era dia de email coletivo sim, mas eu sou uma relapsa e nem escrevi. importante é que eu tou escrevendo agora né? pois.

então, meu fds foi um caso sério. porque fds é tempo de descanso né? mas aí a socialidade né? é uma coisa importante na vida das pessoas. e eu voltei sexta de são paulo, mortinha da silva, às 4 da tarde e às 8 tava na estrada de novo, voltando pra lá, pois sim, que guiom fez amigos novos lá e eles convidaram a gente pra jantar. mas, era de noite, fica ruim de ver as placas e o mapa e a gente se perdeu feio naquela cidade gigante e vimos polícia prendendo bandidos com direito a tiros e tudo, foi uma emoção só. resultado: chegamos tardérrimo no tal jantar, joão tava apavorado, guiom uma pilha e eu um bagaço. daí tentei ser simpática com os amigos novos, claro, que eu achava que eram todos portugueses. mas nem eram. tinha um chileno, um italiano e um polonês e a minha cabeça tava lenta lenta e meu inglês|francês|alemão|espanhol não tava funcionando muito bem. enfim. legais as pessoas, mas não consegui conversar muito. juro que tentei, mas nesse dia não deu.

por causa disso chegamos em casa quase de manhã e eu continuei mortinha da silva o resto do fds. e tinha pilhas de livros e textos pra estudar que os meus trabalhos finais das disciplinas desse semestre estão meio mirabolantes. são três: uma de historia do teatro, outra de crítica cultural e outra de educação-cultura-comunicação-linguagem. pessoas, vocês não têm a menor noção do quanto esse troço é puxado. saca um nível de exigência além das suas capacidades? pois saquem. e ainda tem essa de escrever monografias monstruosas pra cada uma no fim do semestre. problema é: tem uma que acaba semana que vem! e eu tou arrancando metade dos meus cabelinhos. essa que acaba semana que vem foi a aula de hoje; aí a anta que vos escreve inventou de fazer um comentário metido sobre umberto eco na aula e se fudeu (foi mal o palavrão, mas é isso); professor encasquetou que minha própria monografia dessa disciplina vai ser uma viagem qualquer sobre a polarização apocalípticos x integrados. sacam? fudida. totalmente. ler aquele livro indecifrável. e escrever sobre isso. alguém aí me salve por favor.

pra compensar o choque (mulher TEM que compensar o choque né? TEM que), entrei no primeiro brechó que surgiu no meu caminho e comprei três vestidos. tá, eram lindos. tá, eram baratos. mas precisava? não né? mas eu TINHA que. entendem né? eu sei que sim. agora tou com dor na consciência e no bolso, que é bem pior..

e chove. nunca chove nessa terra, mas, quando chove, a pessoa jura que é o dia do juízo final. aí duas semanas atrás foi o dia mais frio do ano, sensação térmica de 3 graus. semana passada fez 40 e agora deve estar nuns 18. e a saúde da pessoa indo pro brejo direto sem escalas que não haá ser humano nessa galáxia que agüente essa palhaçada climática.

falando em saúde, minha ginecologista suspeita que eu esteja com endometriose. por favor, não contem à minha mãe que eu sou filha única e ela é velhinha. mas eu tou com medinho. medo mesmo não, medinho só. e tem as espinhas. que não me abandonam jamais de la vie. e minha dermatologista fala que são os hormônios malucos por causa da possível endometriose e eu fico nessa. já tou no quinto remédio pra acne desse ano. e isso sem contar a parafernália de pílulas e géis e loções e cremes e protetores que eu tenho que passar todo dia o dia todo. pareço uma maluca no banheiro da puc no meu ritual de beleza depois do almoço. é tragicômico.

ah, esse fds eu vi dois filminhos legais: "a máquina" de joão falcão, com mariana ximenes e "querida wendy", com roteiro de lars von trier. gostei de ambos. e tou lendo um livro chamado norwegian wood, mas depois falo dele.

mas assim: cadê isabella hein? zabé? tu tá aqui? favor deixar recado, certo? grata pela preferência.

meninas eu vou indo. combinem o dia da gente se encontrar no msn ok?

beijos a todas!

gio.

ps: eu pensei em postar parte desse email no blog.. post tipo "quebrei minha unha hoje". vocês se incomodam? eu tiro os trechos mais "intimistas" hehehe. sabem como é: inspiração escassa..




precisa comentar? não né? beleza então.

Gio [10:28 PM]

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[ Quarta-feira, Setembro 06, 2006 ]


Tem dias que bate uma nostalgia braba na vida da pessoa.

Don't you cry tonight
I still love you baby
Don't you cry tonight
There's a heaven above you baby
Don't you cry tonight

Como se ouvir essa musica não fosse suficiente, quando acaba a fita (sim, a fita) do Guns você coloca a fita (sim, a fita; outra) da Legião pra tocar.

Todos os dias
Quando acordo
Não tenho mais
O tempo que passou
Mas tenho muito tempo
Temos todo o tempo
Do mundo

É uma situação complexa.

Quando eu tinha treze anos, eu ficava deprê com essas duas musicas. A primeira porque me lembrava de um amor platônico que eu cultivava desde os oito (!) anos com uma perseverança cega que me impressiona até hoje. A segunda porque me fazia pensar no dia em que eu já não poderia mais ingenuamente pensar que eu tinha todo o tempo do mundo porque eu era tão jovem. E as duas juntas ao mesmo tempo agora porque eu tinha certeza (hahaha) de que quando eu fosse gente grande eu não sofreria mais por amor (hahaha).

Quando eu tinha treze anos, eu achava que chegaria um tempo em que os problemas teriam fim. Quando eu tinha treze anos eu era uma grandessíssima tonta.

Acho que ainda sou.

Quando eu tinha treze anos eu sofria desde os oito (!) por conta da total ignorância de Fred com relação à minha pessoa. Pior. Porque se ele efetivamente me ignorasse de todo, eu ainda teria a possibilidade de me apegar à chance de que um dia ele olharia pra mim. Mas não. Ele não efetivamente me ignorava de todo. Ele sabia quem eu era. E ele até gostava de mim e era atencioso e educado. Problema é que eu era a melhor amiga da irmã caçula dele. Problema dos grandes. Eu era filha de grandes amigos dos pais deles e nossas famílias eram da mesma cidade. Ele praticamente me viu nascer. Era esse o problema. Dos grandes. Eu era alguém na vida dele sim. Alguém de certa forma importante. Que merecia respeito e carinho. E só. E eu amava Fred com toda a força do meu coraçãozinho de criança e mais tarde de pré-adolescente. E isso durou dos oito (!) aos treze anos. Sem que eu conseguisse achar graça em outro menino qualquer do universo. E eu vi Fred se apaixonar e azarar e namorar outras meninas. Que pra mim eram as mais felizes e sortudas de todas. Todos eles ¿ Fred e suas namoradinhas ¿ lá em cima no alto de um pedestal onde eu nunca conseguiria chegar.

Um dia eu cresci e Fred teve que morrer pra mim. Teve né? Porque a fila anda. Sempre anda. Tem que andar. Depois a gente se reencontrou e eu namorei um amigo dele e a gente se perdeu de novo e se reencontrou e a mesma coisa um monte de vezes. Aí ele sumiu no mundo. Quer dizer. Eu sempre soube onde ele estava. Que eu sou muito amiga da irmã caçula dele até hoje. Mas ele sumiu da minha vida de vez. Por um longo tempo.

Aí, em julho passado, tou eu perambulando de bar em bar na feirinha de Tambaú em companhia de Brubru e Dridri e com quem eu dou de cara? Pois foi. E essas lembranças todas me vieram à cabeça na hora em que eu vi Fred surgindo no fim da rua. Eu não pude me impedir de abraçá-lo apertado. Depois de perceber o tamanho da afeição que eu sinto por ele até hoje. Trocamos umas frases e depois fomos cada um pra um lado. Mas eu continuei sorrindo pelo resto da noite. Porque eu entendi. O quanto Fred foi importante pra mim. Por mais tonta que eu tenha sido por tanto tempo.

Fred me fez acreditar por anos e anos que chegaria o dia em que eu não mais sofreria por causa de amores contrariados. Me fez acreditar que um dia eu encontraria alguém especial e me apaixonaria e decidiria dividir a vida com essa pessoa e casaria e faria planos.

Bem.

Assim foi. A diferença é que eu achei - eu sempre achei - que nesse dia eu deixaria de sofrer e de me perguntar se era isso e de querer morrer às vezes.

E era tudo mentira. Essas coisas todas nas quais eu acreditei. Que eu deixaria de sofrer e tudo mais. Porque ninguém deixa.

Pelo menos eu acho que não. E eu acho também que se a pessoa deixa de sofrer e de se perguntar se é isso e de querer morrer às vezes é porque a pessoa já morreu e nem notou.

Bonito falar né?

Mas quem foi que disse que é bacana sofrer?

Gio [11:47 AM]

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[ Domingo, Agosto 20, 2006 ]


Eu tenho uma faxineira pra me dar uma mão nos momentos difíceis. É a quinta desde que cheguei em Campinas. As outras eram as quatro filhas dela. Mas não era disso que eu queria falar.

Eu queria falar sobre como as pessoas são incapazes (na maior parte do tempo) de aceitar o non-sense. Ou o unusual (excesso de vocábulos in english por aqui, rã?).

Enfim, dona Josefa, como muitas pessoas que eu conheço, não consegue aceitar os fatos. O fato, na verdade. Somente porque o fato foge ao padrão de normalidade que sabe-a-Deusa-o-por-quê aplicamos aos seres humanos adultos viventes nesse mundo.

Toda vez que dona Josefa vem aqui, ela insiste em levar Schuda do meu quarto pro quarto de João. Sabendo que o lugar de Schuda é deitada no meu travesseiro. Não, vocês não conhecem Schuda.

Então. Schuda é minha ovelha de pelúcia.

Pausa.

Muita calma nessa hora.

Sim. Eu tenho uma ovelha de pelúcia. Sim. O nome dela é Schuda. Mentira. O nome dela é Sudanesa Huda Yohana. Schuda é o apelido. Sim. Minha ovelha de pelúcia tem nome duplo, sobrenome e apelido. Sim. Eu durmo com ela. Sim. Eu passo a noite toda abraçada com ela. Sim. Eu, o marido e a ovelha dividimos a mesma cama. Não. Não pensem obscenidades. Que eu, Guiom e Schuda temos um profundo respeito pelos relacionamentos estabelecidos entre cada dois de nós.

Percebem?

Schuda é fundamental para mim. Amor não se justifica, por isso não vou ficar aqui explicando. Apenas quero esclarecer que eu sou casada, com filho, família grande, amigos numerosos, cachorro querido e coisas estimadas. Sei que sou amada e não me falta um carinho quando preciso. Mesmo assim preciso dormir abraçada com Schuda pra me sentir feliz e em paz.

Problema é: as pessoas não aceitam isso com naturalidade. E ficam querendo me convencer do quanto dormir abraçada com uma ovelha de pelúcia é uma coisa infantil. E ficam querendo me separar de Schuda.

Oras.

Muito bem.

Pode até ser infantil. Afinal eu agora tenho 26 anos. Pois olhem: eu tenho 26 anos, terminei a faculdade e estou no meio de uma especialização. Mas continuo sem saber o que quero ser quando crescer.

Problemas, hein?

Gio [1:15 PM]

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[ Domingo, Julho 23, 2006 ]


Deixa eu ir logo dizendo uma verdade. Marisa Monte é a melhor cantora (e compositora) que eu conheço. Pra mim né? Porque né? Cada um com a sua.

Eu acho que eu amei Marisa desde o momento em que eu ouvi a primeira música. Que foi "Bem que se quis", numa novela global qualquer. E faz tempo isso. E eu era bem novinha que disso eu me recordo.

Mas Marisa não me saiu da cabeça e eu tratei de adquirir todos os cds e decorar todas as canções.

Só que eu sempre tive um carinho especial por músicas que não eram dela mas que ela soube interpretar como ninguém. Os sambas e os chorinhos. E eu me apaixonei por Paulinho da Viola e Pixinguinha por causa de Marisa. Que eu ouvia os dois quando eu era criança por causa do meu pai. Mas a paixão mesmo surgiu por causa de Marisa. E eu pensava comigo mesma que Marisa podia gravar ainda mais sambas e chorinhos. Qual não foi a minha surpresa quando ela lançou os discos novos, e um deles, segundo ela mesma, tinha sido "gravado em uma atmosfera de samba".

Não só um disco de sambas, um disco de sambas escritos por ela.

:)

A piece of heaven..

Bem aqui no meu aparelho de som.



"Tarde, já de manhã cedinho
Quando a névoa toma conta da cidade (..)

E eu já não me sinto só
Tão só, tão só
Com o universo ao meu redor"



Querem saber? Se eu fosse uma música eu seria um samba.

Assim.. eu me considero uma pessoa relativamente roquenrou. Tanto que às vezes eu me pergunto por que eu só falo de roque por aqui. "De bandas gringas que ninguém conhece", como Bruno gosta de dizer. Porque, sério de verdade, eu seria um samba.

Nada de patriotismo, que samba não é o ritmo nacional coisa nenhuma. Samba é coisa de carioca, e o resto do país imita. Mas eu seria um samba. É. Tem muito carioquismo na minha alma sertaneja sim.

Eu seria um samba. Ponto.



"É o Bonde do Dom que me leva
Os anjos que me carregam
Os automóveis que me cercam
Os santos que me projetam
Nas asas do bem desse mundo
Carrego um quintal lá no fundo
A água do mar me bebe
A sede de ti prossegue"



Porque o samba é aquela coisa. Repleta de boemia e melancolia e nostalgia e tristeza e beleza e dor e desgosto e sofrimento e padecimento.

E uma coisa eu aprendi nessa vida. É preciso. É preciso tudo isso. Boemia e melancolia e nostalgia e tristeza e beleza e dor e desgosto e sofrimento e padecimento. É preciso pra gente sentir pelo menos um lampejo de completude de vez em quando.

Que essa estória de céu azul sem nuvens, sol brilhante, mar calmo e brisa fresca todo dia é de uma chatice sem tamanho.

É preciso que haja tempestades. Nuvens negras, raios e trovões, furacões e maremotos.

É preciso chorar, sofrer, padecer. Que essa é a metade obscura da vida. Mas é a metade dela, então não adianta tentar fugir porque ninguém vai conseguir.



"Quando é noite de lua, eu saio pra rua pra meditar
O meu pinho faz tudo pra ver meu canário cantar
No soluçar do vento
No sussurro das folhagens
No gemido dos coqueiros
Pede a ele pra criar coragem
Nem assim o meu canário canta
E da minha garganta um triste gemido sai"



Tá, eu sei. Quando se está feliz, não existe tempo pra pensar que um dia a tristeza vai chegar. Mas eu nunca prometi ser normal. Então eu sempre penso. Mesmo feliz, eu penso na tristeza. Porque a tristeza é uma velha amiga. Que eu conheço bem. E outra. Eu não consigo ser nada aos poucos. Nem feliz nem triste. Eu me jogo, eu já disse isso aqui. Eu já tentei ser diferente. Mas eu não consigo. Eu me jogo. E quando eu me jogo vem tudo ao mesmo tempo. Felicidade e tristeza. Mas eu já acostumei. A vida toda me jogando né? Acostumei sim. É só assim que eu sei viver.



"Coração não tem barreira, não
Desce a ladeira, perde o freio devagar
Eu quero ver cachoeira desabar
Montanha, roleta russa, felicidade
Posso me perder pela cidade
Fazer o circo pegar fogo de verdade
Mas tenho meu canto cativo pra voltar"



Aí depois de ouvir o cd todinho três vezes, eu me peguei perguntando sobre onde fica o amor no meio disso tudo. Porque sem amor não há samba.



"Pois tudo o que se sabe do amor
É que ele gosta muito de mudar
E pode aparecer onde ninguém ousaria supor"




Então Nelson né? Porque depois de um primeiro encontro pouco satisfatório com a obra de Nelson Rodrigues, Bruno proporcionou-me uma emoção intensa e preciosa ao me recomendar (e me emprestar) um trecho de "A Menina Sem Estrela". E eu me emocionei muitíssimo e chorei todas as minhas pitangas com essas memórias de Nelson. Mas depois eu falo mais delas. Que eu queria falar aqui de coisinhas que Nelson disse sobre o amor.



"(..) continuou o meu romance com Lúcia. Pouco a pouco fui dizendo as coisas que são tudo para mim: - 'Todo amor é eterno e, se acaba, não era amor'. E dizia: - 'Quem nunca desejou morrer com o ser amado, não amou, nem sabe o que é amar'. As nossas conversas eram tristes, porque o amor nada tem a ver com a alegria e nada tem a ver com a felicidade."


Querem saber? Eu sempre pensei assim. Certas coisas a gente tem medo de dizer. Principalmente entre amigos que acreditam no amor verdadeiro. Principalmente em público como aqui. Por isso acho que eu nunca disse. Mas é isso. O amor passa longe da felicidade.

Querem saber? Eu não sei se eu sei onde fica o amor no meio disso tudo. Porque essa é uma mania muito besta que a gente tem. Essa de querer saber definir o amor, de querer saber onde ele fica e tudo mais. Melhor deixar o amor quieto. O amor também passa longe da racionalidade. Então não cabem explicações. Ama-se. Ponto. Sem pensar sobre isso. Deixa eu parar de falar de amor de uma vez.

Sim. Eu seria um samba.

Gio [12:42 PM]

Viaje:

[ Segunda-feira, Julho 10, 2006 ]


Férias né? A pessoa perde total a inspiração pra escrever em seu próprio blog. Uma vez, numa conversa emessênica com Ailton, chegamos à conclusão que o exílio beneficia com a dádiva da melancolia os escritores (Santa pretensão, Batman!). É o caso, I think. Em sua própria terra, rodeada de seus próprios familiares, amigos e agregados queridos, em frente de seu próprio mar preferido, a pessoa tem mais o que fazer. Ou não tem nada pra fazer e fica vagabundando. Que é muitíssimo diferente de escrever ou de ter vontade de e assunto pra. Escrever é coisa de vagabundo. Óquei, I agree. Mas não coisa de vagabundo de férias de frente pra seu próprio mar preferido.

Mas como falta de inspiração pra escrever posts é um assunto demasiado batido, eu não vou ficar divagando sobre isso. Nem vou dar corda pra falta de inspiração que não faz o meu tipo. Vou ficar aqui tagarelando abobrinhas postáveis. Mais minha cara.



Aí sábado eu fui bater ponto no centro histórico pessoense com Lumy. Meio sem muita vontade por causa da chuvinha fina que sempre cai aqui no inverno e que me irrita profundamente. Mas fui. Tou lá numa jornada em busca de uma cerveja quando de repente ouço um grito-pergunta: "Gio?! Eu sou Manu!". Que eu já sabia que Manu era Manu quando eu dei de cara com ela. Foi massa. Não importa quantos anos de internet eu tenha, certos fenômenos sempre me pegam pelo pé como se eu fosse neófita. Esse de conhecer ao vivo pessoas virtuais amigas sempre me emociona. E a gente ficou de conversa mole um tempão. Mas né? Quem me conhece ao vivo sabe o quanto eu sou capaz de falar se me derem espaço. Aí eu nem conversei tudo que eu queria conversar com Manu, mas estou certa de que a gente vai se encontrar de novo. E fico deveras feliz com isso.

Caminhar né? No calçadão. Ao cair da tarde. Assim uma coisa saudável. E comer açaí? Mais ainda. Certo, beleza, tamos aí. Mas as pessoas amigas residentes nesta cidade exageram. Agora é um tal de açaí toda semana e correr e nadar e, afe, jogar vôlei. Como assim pessoas? Zabellicota bem observou, ou teria sido Ailton? Não, eu não tenho cara de quem gosta de jogar vôlei. Nem cara, nem disposição física, nem talento, nem patavina. Mas né? Tudo em nome da sociabilidade. Até ver filmes ruins, só porque Andrei queria porque queria ir ver o danado do filme que a gente já sabia que era ruim no cinema. Até perdoar Bruno porque ele tá no fim do período e só me viu duas vezes. É. Amigos né? Tamos aí.

Tem outras. Mas né? A pessoa divide o computador com os outros milhões de pessoas que dormem sob o mesmo teto dessa casa. Inclusive com sua própria filha-postiça que fica do lado da pessoa enquanto a pessoa escreve pentelhando a hora toda pra pessoa parar de escrever que já escreveu demais que ela quer entrar na internet e atualizar o flog e fuçar o orkut alheio e tagarelar no emessene. Por isso, deixem eu ir nesse momento. Eu juro e prometo - toda vez né? eu juro e prometo nas férias - que depois eu escrevo mais.

Gio [11:37 PM]

Viaje:

[ Quarta-feira, Junho 21, 2006 ]


Eu tinha combinado comigo mesma que meu próximo post seria alegre e otimista e alto-astral e essa coisa toda. Que nem combina com meu estado de espírito nesse momento da minha vida. Mas né? Eu ia tentar.

E eu me disse: "Então vai ter que postar antes do dia 21 de junho".Que o dia 21 de junho é um dia complexo. Eu realmente pensei nisso uma semana atrás. Mas não deu. Não postei. E o dia 21 de junho chegou. E cá estou eu. E não há no mundo nada mais em que eu consiga pensar hoje a não ser isso.

O dia 21 de junho é o dia da morte do meu pai.

Olhem. Eu detesto isso sabem? Autocomiseração. Autoflagelação. Autovitimização (essa foi boa). Oh deuses todos como sou infeliz e coitada e pobrezinha de mim. Odeio. Muita gente por aí perdeu o pai ou outra pessoa querida e continua em pé. Como eu. Porque é aquela coisa. É preciso continuar o tempo não pára the show must go on. Eu sei. Eu juro e prometo que eu sei bem.

Mas. Cara. Não dá. Você tenta. Você tenta de verdade. Mas não sai da cabeça. Não sai do coração. Dezesseis anos. E continua doendo como se tivesse acontecido ontem. E você começa a escrever ou falar sobre isso no dia de hoje e quando você vê o nó na garganta já tá apertado. E você chora na frente do computador. É um caso de corpo de bombeiros com certeza. Quem foi mesmo que inventou os blogs hein?

Eu não devia postar isso. Mas eu odeio pensar os negócios e escrever e depois jogar fora. Odeio. E infecciona né? Eu acredito que sim. Se você deixa os negócios guardados no fundo do baú que tem dentro do peito. Melhor postar mesmo. Fuck.

Aí eu tentei pensar: "Daqui a pouco você vai pra João Pessoa e isso tudo vai passar". Aí logo depois eu tentei pensar de novo: "Vai ficar lá, com seus amigos e seu cachorro e sua família na casa onde vocês sempre sonharam morar". Certo. Família né? Na casa dos sonhos né? E eu lembrei. O pai né? E o sonho foi sonhado junto com ele. E ele recitava uma poesia de Cecília Meireles (daquele livro. lembram?) que diz assim:


O ultimo andar

No ultimo andar é mais bonito:
Do ultimo andar se vê o mar.
É lá que eu quero morar.

O ultimo andar é muito longe:
Custa-se muito a chegar.
Mas é lá que eu quero morar.

Todo o céu fica a noite inteira
Sobre o ultimo andar.
É lá que eu quero morar.

Quando faz lua, no terraço
Fica todo o luar.
É lá que eu quero morar.

Os passarinhos lá se escondem
Para ninguém os maltratar:
No ultimo andar.

De lá se avista o mundo inteiro:
Tudo parece perto, no ar.
É lá que eu quero morar:

No ultimo andar.


E você adorava essa poesia. E ficava construindo seu castelinho no ultimo andar dentro da cabecinha de criança. Seu castelinho no ultimo andar no Cabo Branco. E o castelinho se concretizou e de lá agora você de fato vê o mar e todo o luar. E os passarinhos e o mundo inteiro. Mas falta né? O pai. Vai faltar sempre. E não há nada que ninguém possa fazer. Nada a fazer a não ser lembrar. E pensar. Pensar e dizer baixinho com você mesma.

É bonito, pai. É muito bonito o nosso ultimo andar.

Gio [10:01 AM]

Viaje:

[ Quarta-feira, Junho 14, 2006 ]


Alguém disse uma vez que todo dia ao acordar precisamos lembrar de quem somos. Muito bem. Já é quase meio dia. Acordei às seis e meia. E ainda não lembrei quem eu sou. Mas isso não exatamente me angustia. Porque no fim das contas todas né? Eu não sei se eu sei mesmo quem eu sou de verdade.

Houve um tempo em que eu queria avidamente saber. Houve um tempo, esse mais recente, em que eu achei que sabia. Ocorreu uma coisa qualquer, não sei bem o quê, que me fez perder as certezas.

Pensando bem né? De que nos servem as certezas? Inútil ter certezas.

Sempre lembrando que a dúvida é o preço da pureza. Mas isso é outra estória.

Sim. Hoje eu acordei incrédula.

Normalmente eu recitaria Martha Medeiros. Como já fiz aqui uma vez. E diria:



O quarto ainda está crescente
E já venero a lua cheia.

O disco ainda nem foi lançado
E eu já sei a letra de cor.

O sol ainda nem nasceu
E já estou estendida na areia.

Fuzilem-me!
Não há nada em que eu não creia.



Por que essa sou eu. Fuzilem-me. Mas né? Hoje eu acordei incrédula.

Não perguntem o por quê. Hoje eu acordei incrédula. É só.

Alguém aí chame o corpo de bombeiros pra vir me resgatar.


Gio [11:54 AM]

Viaje: